Fotos do Instituto Educacional Moriá Logos e da 1ª Igreja Evangélica Assembleia de Deus

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22/06/2021

Algumas curiosidades bíblicas. Aprenda um pouco mais sobre a Bíblia Sagrada.

A importância da Palavra de Deus! 


Sem conhecimento da Bíblia Sagrada é impossível, sem a prática do conhecimento é impossível ser um cristão! Por falta de conhecimento da Palavra o povo se corrompe! Como iniciar um ministério apostólico sem conhecer a principal ferramenta do cristão, a Bíblia?  
Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;
Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência;
Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças;
Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças.

1 Timóteo 4:1-4
Algumas curiosidades bíblicas. Aprenda mais sobre a Bíblia Sagrada.

17/06/2021

O ensino participativo na Escola Bíblica Dominical

 

O ensino participativo na Escola Bíblica Dominical

O ENSINO PARTICIPATIVO 

A utilização dos recursos tecnológicos na educação se tornou primordial nos dias de hoje. É impossível que uma escola, mesmo a escola bíblica dominical, que queira se tornar um modelo de excelência gerencial e de qualidade de ensino fique de fora deste contexto que aponta para um futuro irreversível. O desafio das mudanças quer seja de mentalidade quer seja de comportamento é um fator culminante nesta nova abordagem da educação participativa que prepara novos discípulos de Jesus, e é o início da vida confessional de professores, diáconos, presbíteros, evangelistas e pastores.

Os recursos tecnológicos como apoio ao ensino de qualidade tem se mostrado altamente eficiente de modo que facilita o processo pedagógico, a contextualização dos programas disciplinares, bem como a metodologia e a prática docente.

A construção de novos valores, a inserção de novas dinâmicas e a promoção de novas de aprendizagem baseadas em uma nova educacional tendem a superar os valores até então estabelecidos. Baseando o conhecimento e a transmissão deste, através de uma visão futurista no qual a tecnologia impõe uma velocidade transferência instantânea e aproximando o conhecimento empírico dos alunos adquiridos através de suas experiências conduz a uma nova linguagem de informação e de comunicação.

A escola dominical reflete a que tipo de igreja na qual ela está inserida. O aluno é o futuro discípulo de Jesus, nosso Senhor. Que tipo de salvação estaremos apresentando e como à fé estará baseado nas Escrituras Sagradas, se não apresentarmos a Palavra conforme o Senhor a entregou? Como você lê e como entendes?

Romper entre o tradicional e o novo são um desafio a ser aperfeiçoado pelos novos professores da EBD. A sala de aula na igreja deixou de ser um local de cadeiras alinhadas uma atrás da outra, para um local de promoção e busca incessante pelo conhecimento. Podemos utilizar um computador ligado à internet para conduzir o aluno a superar suas limitações físicas e bibliográficas e entrar numa rede de vasta ciência.

            Diante de tantos avanços tecnológicos, como utilizá-los na educação bíblica? Qual a utilidade do computador no cotidiano da EBD?

Os recursos da tecnologia permitem conceber e verificar ideias ou hipóteses, que levam à criação de um mundo abstrato e simbólico, ao mesmo tempo em que introduz diferentes formas de atuação e de interação entre as pessoas. Essas novas relações, além de envolverem a racionalidade técnico-operatória e lógico-formal, ampliam a compreensão sobre aspectos sócio afetivos e tornam evidentes fatores pedagógicos, psicológicos, sociológicos e epistemológicos.

Mas como o professor, preparado para uma pedagogia cristã baseada em procedimentos que visam à acumulação de informações pelo aluno, poderá reinventar a sua prática e assumir uma nova atitude diante do conhecimento, da aprendizagem com a utilização da tecnologia?

Assim como não se pode mais questionar o uso do computador, bem como outros meios tecnológicos em educação cristã, também não se deve adotá-lo como a panacéia para os problemas da educação religiosa evangélica. E ai surge as seguintes questões: como capacitar o professor na utilização dos recursos tecnológicos na EBD? Como integrar a prática docente com as novas tecnologias? Vislumbrar o futuro da prática pedagógica cristã apoiada em novas tecnologias educacionais?

Manter-se atualizado é um grande desafio para grande parte dos professores seculares, que tem a sua disposição vários cursos de capacitação e diversos incentivos dos governos municipal, estadual e federal.

Quando olhamos para os nossos professores de EBD deparamos com uma triste realidade. Quantos ministérios cristãos investem realmente no setor educacional de sua igreja? Quais os cursos de capacitação existem disponíveis para os professores da EBD? Qual é a exigência para que seja selecionado o professor da EBD? Como o superintendente da EBD é formado?

Diante de tantos questionamentos, vimos que a EBD tem bastantes limitações. Sejam de formação profissional ou capacitação.

O próprio autor do livro questiona alguns aspectos relativos ao professor da EBD:

Hoje, exige-se do professor a capacidade de selecionar e utilizar novos meios e procedimentos que lhe permitam esclarecer e aplicar os conteúdos das matérias no dia-a-dia da vida dos educandos.

Nossos alunos são influenciados por um mundo dominado pelos meios de comunicação. Durante toda a semana, dedicam-se inteiramente à televisão, aos brinquedos eletrônicos e à Internet. Quando chegam à Escola Dominical, trazem consigo imagens vivas adquiridas em consequência das numerosas solicitações a que foram submetidos pela diversidade dos meios de comunicação. Que interesse terão estes alunos em permanecer cerca de cinquenta minutos apenas ouvindo a voz do professor? Será que os mestres da Escola Dominical estão preparados para enfrentar este desafio? Como poderão despertá-los? Atraí-los para o ensinamento bíblico? É necessário que o professor conscientize-se destas mudanças e adapte o ambiente da sala de aula e suas técnicas de ensino a esta nova realidade. Ao educador cristão da atualidade cabe a responsabilidade de melhorar a comunicação em sala de aula, adaptando-a as necessidades dos alunos e colocando-a em termos tais que lhes permitam alcançar com êxito os objetivos da educação cristã. (TULER, 2005, p. 13-14)

 

COMO DESENVOLVER O ENSINO PARTICIPATIVO

Para aprender, o aluno deve ter interesse naquilo que será objeto da aula. O professor da EBD deve despertar o desejo de aprender, tornando evidentes ao aluno os motivos que fazem o assunto importante para este.

Além disso, o professor da EBD deve manter vivo o interesse do aluno no desenvolvimento da aula e estimular a atenção do aluno utilizando os recursos educacionais disponíveis (quadro de giz, retroprojetor, computador, multimídia, etc) adequados para obter a percepção. Este é um processo ativo que significa a assimilação e a interpretação de novas sensações. Por meio da percepção o aluno incorpora novas experiências que irão reorganizar os seus conhecimentos e o seu comportamento.

O professor da EBD deve estar atento ao fato de que as percepções são relativas, reagindo de forma diferente a cada estímulo apresentado. A focalização perceptiva é a atenção, que pode ser definida como a capacidade seletiva da percepção.

O professor da EBD deve manter o interesse de seu aluno, encorajando-o na execução das tarefas e recompensando-o pelos acertos, em vez de reprová-lo quando falha. Deve preocupar-se em ressaltar os pontos positivos, dando às faltas um tratamento que venha a possibilitar sua correção.

Existe uma tendência de todo professor a se posicionar em uma sala de aula através de palestras, que são essencialmente expositivas.

A palestra é uma exposição oral na qual o professor, valendo-se de todos os recursos da comunicação e preferencialmente com a ajuda de recursos educacionais, apresenta, define, analisa e explica os temas de uma aula.  É eficaz para iniciar a aprendizagem, bem como para introduzir as informações fundamentais. É útil como uma das possíveis formas de introduzir temas para reflexão e discussão.

Apresenta como principais vantagens: permitir ministrar muitos ensinamentos em pouco tempo e poder ser feita para turmas numerosas.

Porém tem como desvantagens: a pequena participação ativa dos alunos, os riscos de tédio ou desatenção e pouco rendimento provável.

Para que o ensino tenha uma maior participação do aluno é necessário que as aulas sejam contextualizadas, os assuntos devem despertam o interesse dos alunos e baseadas e experiências de vida.

A cooperação entre professores e alunos é primordial. Num ensino participativo, o aluno é o centro e a figura principal do processo educativo, é caracterizado pela variedade de procedimentos didáticos e para isto deverão ser estimulados a compartilhar com opiniões, experiências e sentimentos.

Deve-se ter o cuidado com os alunos que gostam de atrair para si toda a atenção. “A experiência diz que quando há um "figurão" presente, os estudantes mais tímidos participam menos da aula. Em sua classe, todos devem se sentir à vontade independentemente da formação escolar, situação social ou econômica”. (TULER, 2005, p. 14)

A pedagogia tradicional centrava-se na importância do professor no processo de ensino-aprendizagem deixando de lado o discente que era considerado um mero receptor de informações. Questionados sobre alguns assuntos, os alunos respondiam às perguntas do professor sem, contudo, interferirem voluntariamente na solução dos problemas e dificuldades do processo. Não tinham interesse pela aprendizagem.

Apesar de muitas escolas ainda se manterem na educação tradicional, uma nova didática vem sendo introduzido nas escolas, modificando por completo a atitude do professor em sala de aula. A aprendizagem é realizada em conjunto com o aluno, passando o professor a função de facilitador. Isto trouxe mais responsabilidade, pois agora o professor não vai mais pronunciar discursos prontos, devendo estar apto a responder as necessidades e carências, tendo uma participação efetiva junto ao aluno.

Utiliza-se a forma de comunicação multilateral, isto é, os alunos passaram a ter o direito de colocar em discussão suas opiniões, ideias, sentimentos e aprendizagem anteriores, permitindo a troca de experiências, cabendo ao professor o estímulo, a correção de rumos e a intervenção pedagógica, auxiliando na aprendizagem do discente, desenvolvendo o pensamento analítico, criativo e prático.

Diferente da palestra em que o professor somente fala e os alunos ouvem, o diálogo é de suma importância no ensino participativo, criando um ambiente de respeito e de consentimento, protegendo o trabalho criativo do aluno de gozações e da crítica destrutiva:

Assim os mestres ensinaram os novos crentes na Igreja Primitiva. As reuniões de ensino aconteciam nas casas dos irmãos. Todos aprendiam uns com os outros por meio do diálogo, da conversa, da partilha ou troca de experiências. Os que sabiam um pouco mais passavam seus conhecimentos aos neófitos em tom de conversa informal, familiar, de modo que todos podiam compreender a mensagem proveniente dos apóstolos e, em muitas ocasiões, diretamente do Espírito Santo.

O famoso educador Paulo Freire dizia que ensinar por meio do diálogo é, antes de tudo, "uma atitude de amor, humildade e respeito pelo outro". O educador precisa entender que todos têm condições de falar, opinar, fazer, refazer, criar e recriar, etc. (TULER, 2005, p. 19)

 

METODOLOGIA 

A metodologia empregada no ensino participativo deve estar de acordo com os planos de aulas, de modo que possa contemplar a realidade da escola que se pretende empregar este procedimento.

            Para que haja participação efetiva dos alunos em uma aula, não podemos prever atividades em que a técnica de ensino seja uma exclusivamente uma palestra. Como já disse os anteriormente, a palestra serve para dar uma introdução no assunto e depois devemos partir para uma técnica que permita a participação efetiva dos alunos.

            Na EBD, o professor deve utilizar seus conhecimentos para uma perfeita colaboração entre seus alunos. O livro “Ensino participativo na Escola Dominical”, de Marcos Tuler, dispõe de várias metodologias didáticas para promover a participação dos alunos nas aulas.

            Como exemplo, citarei apenas uma técnica de ensino chamada DEBATE, que pode ser empregado em diversos temas controversos que deverão passar pelo crivo da Palavra de Deus para discussão.

            Um tema que está na atualidade é a homofobia. Poderia ser aberto um debate com a seguinte situação: como fica a situação de um homem que fez operação de mudança de sexo?

            Com isso, colocaremos a turma para analisar o tema e apresentar suas hipóteses segundo o que diz a Bíblia. 

CONCLUSÃO 

Para um ensino participativo devemos entender que a sala de aula não é um exército de pessoas caladas nem um teatro onde o professor é o único ator e os alunos, espectadores passivos. Todos são atores da educação. Na realidade, um quinto do tempo escolar deveria ser gasto com os alunos dando aulas na frente da classe. Os professores relaxariam nesse período, e os alunos se comprometeriam com a educação, desenvolveria capacidade crítica, raciocínios esquemáticos, superariam a fobia social.

Atenção especial deve ser dispensada aos alunos tímidos. Normalmente eles têm diversos graus de fobia social, de expressar suas ideias em público. Os tímidos falam pouco, mas pensam muito e, às vezes, se atormentam com seus pensamentos. Os tímidos costumam ser ótimos para os outros, mas péssimos para si mesmos. São éticos e preocupados com a sociedade, mas não cuidam da sua qualidade de vida.

Os educadores são escultores da emoção. Devem educar olhando nos olhos e com gestos: eles falam tanto quanto as palavras. Sentar em forma de ferradura ou em círculo aquieta o pensamento, melhora a concentração, diminui a ansiedade dos alunos. O clima da classe fica agradável e a interação social dá um grande salto. 

Referência: 

TULER, Marcos. O ensino participativo na escola dominical. 2ª ed, Rio de Janeiro: CPAD, 2005.


10/06/2021

Os aspectos culturais da pré-reforma - História do Cristianismo

 

Reforma Protestante

Antecedentes da Reforma Protestante

É claro que de acordo com os pressupostos históricos que o historiador vier aplicar na interpretação da reforma, irá determinar a sua causa. Assim, temos várias correntes e escolas pelas quais os historiadores farão sua análise crítica da reforma de maneira puramente racionalista secular, tais como aquelas que só veem as causas da reforma nos fatores político-sociais, outros no fator da economia e outros ainda veem a reforma puramente como produto do intelectualismo. Entretanto, uma cosmovisão puramente racionalista tende a distorcer a definição e dar razões incompletas e deficientes à verdadeira origem da reforma. Ora, se analisarmos o assunto somente sob a ótica religiosa, ignorando a corroboração de todos esses fatores seculares e o impacto que tiveram sobre o movimento reformista é tão errado quanto analisar a reforma sem levar em conta a sua principal causa, qual seja, a religiosa. Na verdade, a reforma protestante nada mais é do que o cumprimento de um clamor por mudança religiosa, ainda que de maneira esporádica através dos anos anteriores à própria origem da reforma.

Nas últimas décadas da Idade Média, a igreja ocidental viveu um período de decadência que favoreceu o desenvolvimento do grande cisma do Ocidente, registrado entre 1378 e 1417, e que teve entre suas principais causas a transferência da sede papal para a cidade francesa de Avignon e a eleição simultânea de dois e até de três pontífices. O surgimento do "conciliarismo" - doutrina decorrente do cisma, que subordinava a autoridade do papa à comunidade dos fiéis representada pelo concílio - bem como o nepotismo e a imoralidade de alguns pontífices demonstraram a necessidade de uma reforma radical no seio da igreja. Por outro lado, já haviam surgido no interior da igreja movimentos reformistas que pregavam uma vida cristã mais consentânea com o Evangelho. No século XIII surgiram as ordens mendicantes, com a figura de são Francisco de Assis. Outros movimentos reformistas surgiram em aberta oposição à hierarquia eclesiástica. No século XII os valdenses, conhecidos como "os pobres de Lyon" ou "os pobres de Cristo", questionaram a autoridade eclesiástica, o purgatório e as indulgências. Os cátaros ou albigenses defenderam nos séculos XII e XIII um ascetismo exacerbado, considerando a si mesmos os únicos puros e perfeitos. Os Petrobrussianos rejeitavam a missa e defendiam o casamento dos padres. No século XIV, na Inglaterra, John Wycliffe defendeu ideias que seriam reconhecidas pelo movimento protestante, como a posse do mundo por Deus, a secularização dos bens eclesiásticos, o fortalecimento do poder temporal do rei como vigário de Cristo e a negação da presença corpórea de Cristo na eucaristia. As idéias de Wycliffe exerceram influência sobre o reformador tcheco João Huss e seus seguidores no território da Boêmia, os hussitas e os taboritas, nos séculos XIV e XV. Entre essas vozes protestantes estava também a do monge dominicano Girolamo Savanarola o qual, a mando do papa, foi preso, torturado e enforcado.

Em posição intermediária entre a fidelidade e a crítica à igreja romana situou-se Erasmo de Rotterdam. Seu profundo humanismo, conciliatório e radicalmente oposto à violência, embora não isento de ambiguidade, levou-o a dar passos importantes em direção à Reforma, como a tradução latina do Novo Testamento, afastando-se da versão oficial da Vulgata; ou a sátira contra o papa Júlio II, de 1513. 

O que foi a Reforma Religiosa?

No século XVI a Europa foi abalada por uma série de movimentos religiosos que contestavam abertamente os dogmas da igreja católica e a autoridade do papa. Estes movimentos, conhecidos genericamente como Reforma, foram sem dúvida de cunho religioso. No entanto, estavam ocorrendo ao mesmo tempo em que as mudanças na economia europeia, juntamente com a ascensão da burguesia. Por isso, algumas correntes do movimento reformista se adequavam às necessidades religiosas da burguesia, ao valorizar o homem “empreendedor” e ao justificar a busca do “lucro”, sempre condenado pela igreja católica. 

Os fatores que desencadearam a Reforma

Uma das causas importantes da Reforma foi o humanismo evangelista, crítico da Igreja da época. A Igreja havia se afastado muito de suas origens e de seus ensinamentos, como pobreza, simplicidade, sofrimento. No século XVI, o catolicismo era uma religião de pompa, luxo e ociosidade. Surgiram críticas em livros como o Elogio da Loucura (1509), de Erasmo de Rotterdam, que se transformaram na base para que Martinho Lutero efetivasse o rompimento com a igreja católica.

Moralmente, a Igreja estava em decadência: preocupava-se mais com as questões políticas e econômicas do que com as questões religiosas. Para aumentar ainda mais suas riquezas, a Igreja recorria a qualquer subterfúgio, como, por exemplo, a venda de cargos eclesiásticos, venda de relíquias e, principalmente, a venda das famosas indulgências, que foram a causa imediata da crítica de Lutero. O papado garantia que cada cristão pecador poderia comprar o perdão da Igreja.

A formação das monarquias nacionais trouxe consigo um sentimento de nacionalidade às pessoas que habitavam uma mesma região, sentimento este desconhecido na Europa feudal, Esse fato motivou o declínio da autoridade papal, pois o rei e a nação passaram a ser mais importantes.

Outro fator muito importante, ligado ao anterior, foi a ascensão da burguesia, que, além do papel decisivo que representou na formação das monarquias nacionais e no pensamento humanista, foi fundamental na Reforma religiosa. Ora, na ideologia católica, a única forma de riqueza era a terra; o dinheiro, o comércio e as atividades bancárias eram práticas pecaminosas; trabalhar pela obtenção do lucro, que é a essência do capital, era pecado. A burguesia precisava, portanto, de uma nova religião, que justificasse seu amor pelo dinheiro e incentivasse as atividades ligadas ao comércio.

A doutrina protestante, criada pela Reforma, satisfazia plenamente os anseios desta nova classe, pois pregava o acúmulo de capital como forma de obtenção do paraíso celestial. Assim, grande parte da burguesia, ligada às atividades lucrativas, aderiu ao movimento reformista. 

Por que a Reforma começou na Alemanha?

No século XVI, a Alemanha não era um Estado politicamente centralizado. A nobreza era tão independente que cunhava moedas, fazia a justiça e recolhiam impostos em suas propriedades. Para complementar sua riqueza, saqueava nas rotas comerciais, expropriando os mercadores e camponeses.

A burguesia alemã, comparada à dos países da Europa, era débil: os comerciantes e banqueiros mais poderosos estabeleciam-se no sul, às margens do Reno e do Danúbio, por onde passavam as principais rotas comerciais; as atividades econômicas da região eram a exportações de vidros, de metais e a “indústria” do papel; mas o setor mais forte da burguesia era o usurário. 

QUEM SE OPUNHA À IGREJA NA ALEMANHA

A igreja católica alemã era muito rica. Seus maiores domínios se localizavam as margens do Reno, chamadas de “caminho do clero”, e eram estes territórios alemães que mais impostos rendiam à Igreja.

A Igreja era sempre associada a tudo que estivesse ligado ao feudalismo. Por isso, a burguesia via a Igreja como inimiga. Seus anseios eram por uma Igreja que gastasse menos, que absorvessem menos impostos e, principalmente, que não condenasse a prática de ganhar dinheiro.

Os senhores feudais alemães estavam interessados nas imensas propriedades da Igreja e do clero alemão.

Os pobres identificavam a Igreja com o sistema que os oprimia: o feudalismo. Isto porque ela representava mais um senhor feudal, a quem deviam muitos impostos.

Às vésperas da Reforma, a luta de classes e política acabou assumindo uma forma religiosa. 

SOLA SCRIPTURA: A CENTRALIDADE DA BÍBLIA NA EXPERIÊNCIA PROTESTANTE

Visto serem as Escrituras do Antigo e do Novo Testamento o livro sagrado dos cristãos, é natural que desde o início elas tenham sido objeto de grande estima e profundo interesse. Desde os primeiros séculos, a Bíblia foi amplamente utilizada para os mais variados propósitos: teológicos, catequéticos, litúrgicos, homiléticos e devocionais. Ela foi invocada não somente nos grandes debates doutrinários da Igreja Antiga, que visavam definir as verdades centrais da fé, mas, acima de tudo, era a principal fonte nas quais os cristãos, fossem eles instruídos ou incultos, iam buscar orientação, consolo, encorajamento e proximidade com Deus. Enfim, ela estava no centro da identidade e autocompreensão do novo movimento. 

Uma herança contraditória

Tão forte era o apreço pelas Escrituras entre os primeiros cristãos que muitos chegavam a usá-las de modo um tanto supersticioso. Em busca de respostas para os seus problemas, era comum abrirem a Bíblia ao acaso e lerem o primeiro versículo no qual se fixavam os seus olhos, considerando-o uma mensagem divina enviada diretamente a eles. Tal prática tornou-se tão popular que teve de ser condenada repetidamente por concílios da Igreja. Outros cristãos se sentiram profundamente desafiados por certas passagens, a ponto de tomarem decisões radicais que transformaram para sempre as suas vidas. Por exemplo, as palavras de Jesus ao jovem rico – “Se queres ser perfeito, vai, vende os teus bens, dá aos pobres, e terás um tesouro no céu; depois vem, e segue-me.” (Mt 19.21) – levaram muitos cristãos antigos, como Antônio do Egito, Valdès de Lião e Francisco de Assis, a abandonarem tudo e se dedicarem plenamente à causa do evangelho.

Com o passar dos séculos, uma série de fatores produziu um crescente distanciamento entre a Bíblia e os fiéis. Em primeiro lugar, o surgimento de dissidências ou expressões alternativas da fé cristã, eventualmente consideradas heréticas – todas as quais apelavam para as Escrituras –, levou os líderes da Igreja majoritária a temerem e desaconselharem a leitura da Bíblia pelos leigos. Em segundo lugar, a interpretação bíblica oficial por parte da Igreja, na forma da tradição e do magistério eclesiástico, passou na prática a ser mais importante e decisiva que a própria Escritura. Através da interpretação alegórica, com sua grande flexibilidade de entendimentos, a Igreja passou a buscar fundamentação bíblica para certos dogmas que simplesmente não se encontravam claramente expressos no texto sagrado.

Finalmente, havia a questão pura e simples da acessibilidade física. Durante mais de um milênio, as cópias parciais ou integrais da Bíblia eram feitas à mão, trabalho esse realizado principalmente por monges que pacientemente redigiam os manuscritos (hoje existem cerca de 2300 manuscritos bíblicos produzidos entre os anos 300 e 1500). O fato de os livros serem copiados à mão tornava-os extremamente caros para a maioria das pessoas – copiar um livro como Isaías levava semanas ou meses. Por exemplo, no século XIV, o custo de uma Bíblia podia ser equivalente ao salário de um ano inteiro de um sacerdote. Todos esses fatores contribuíram para que as Escrituras não estivessem ao alcance da maioria das pessoas. 

A contribuição dos humanistas

A maior parte dos primeiros cristãos lia a Bíblia em grego, na versão conhecida como Septuaginta ou LXX. Nos primeiros séculos da era cristã, foram feitas traduções para vários outros idiomas, tais como o siríaco (Peshita), o armênio, o copta ou egípcio e o gótico. Algumas traduções foram feitas com propósitos missionários, como foi o caso da última mencionada: no século IV, Ulfilas, o missionário pioneiro às tribos germânicas dos godos, traduziu a Bíblia para a língua desse povo. Todavia, a obra-prima em matéria de tradução bíblica na antiguidade foi a Vulgata Latina, produzida pelo grande erudito Jerônimo no final do quarto século e início do quinto.

Na Europa medieval, houve a predominância quase absoluta da Vulgata, sendo que as poucas traduções para as línguas vulgares abrangiam apenas algumas partes da Bíblia. Dois fatores contribuíram para a crescente difusão e popularização das Escrituras no final da Idade Média. Em primeiro lugar, a invenção da imprensa, em meados do século XV, simplificou e barateou substancialmente a produção dos livros. Outro fator, mais importante, foi a obra dos chamados humanistas bíblicos. Esses eruditos não somente começaram a estudar a Bíblia nos originais hebraico e grego, mas produziram valiosas edições críticas desses originais. Além disso, eles passaram a fazer traduções para as línguas vernáculas. Na segunda metade do século XV e no início do século XVI, a Bíblia foi traduzida para o alemão, o italiano, o espanhol, o francês, o tcheco, o inglês e outros idiomas europeus.

Essa ampla divulgação da Bíblia foi uma das molas propulsoras da Reforma Protestante. Quando Erasmo de Roterdã, o “Príncipe dos Humanistas”, publicou uma edição do Novo Testamento grego acompanhado de uma tradução latina (1516), o impacto foi enorme. Muitos sacerdotes começaram a ler as Escrituras com renovado interesse e, o que é mais importante, passou a utilizá-las de modo mais enfático em sua pregação e ensino. Comparando os ensinos bíblicos com a tradição dogmática e ministerial da Igreja, religiosos e leigos perceberam que havia conflitos insanáveis, e sentiram que a Escritura – a Palavra de Deus – devia ter a precedência. As consequências abalaram a cristandade. 

A revolução protestante

Muito antes da Reforma, houve cristãos que defenderam uma espiritualidade mais bíblica. Um exemplo bem conhecido é o sacerdote John Wyclif, do século XIV, que incentivou a primeira tradução completa da Bíblia para o inglês (1384). Wyclif se apoiou nas Escrituras para contestar uma série de dogmas da Igreja Medieval e foi eventualmente condenado por heresia. Quarenta e quatro anos após a sua morte, seus ossos foram exumados e queimados, sendo as cinzas lançadas em um rio. Muitos exemplares de seus livros e da sua tradução da Bíblia foram queimados – assim como alguns de seus seguidores. Surpreendentemente, apesar da intensa repressão, quase duzentas cópias dessa Bíblia sobreviveram até os nossos dias. Como é natural, a Igreja ficou ainda mais receosa de colocar a Escritura nas mãos dos leigos. Mas havia sido desencadeado um processo irreversível.

Os humanistas seculares tinham o lema ad fontes, “de volta às fontes”, ou seja, as obras da Antiguidade clássica greco-romana. Os reformadores fizeram o mesmo com a Bíblia, a fonte por excelência da tradição cristã, o registro da ação providencial e redentora de Deus na vida do mundo. Desde o início, homens como Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio e João Calvino afirmaram o princípio da autoridade suprema das Escrituras em matéria de fé e prática (“SOLA SCRIPTURA”), e passaram a reavaliar toda a sua herança religiosa à luz desse critério. Eles concluíram que a autoridade da Bíblia é intrínseca e decorre da sua origem divina, visto ser a revelação direta, viva e pessoal de Deus aos seres humanos. Não foi a Igreja que formou a Escritura, mas vice-versa. A Igreja está edificada “sobre o fundamento dos apóstolos e profetas” (Ef 2.20), ou seja, o evangelho que está contido nas Escrituras e é a sua essência. Cristo é o centro e a chave da revelação escrita.

Esse postulado, chamado o “princípio formal” da Reforma, teve uma série de corolários importantes. Um desses princípios colaterais foi o do “livre exame” das Escrituras. Se a Bíblia é a Palavra de Deus, escrita para a instrução e o encorajamento do povo de Deus, todo cristão tem o direito e o dever de lê-la e estudá-la. Os reformadores conheciam os riscos envolvidos nesse princípio, mas mesmo assim resolveram assumi-los. Na questão crucial da interpretação bíblica, dois fatores foram importantes. Por um lado, insistiu-se no princípio da “analogia da Escritura”, ou seja, de que a Bíblia se interpreta a si mesma. Um ponto confuso ou obscuro do texto deve ser aclarado por outros textos que falam sobre o mesmo assunto. Por outro lado, houve o entendimento de que “livre exame” não significava “livre interpretação”, meramente pessoal, subjetiva, aleatória. Os reformadores foram os primeiros a dar o exemplo nesse sentido, levando em consideração o que havia de melhor na tradição exegética da Igreja Antiga. 

A centralidade da Palavra

O amor pela Bíblia encontrou expressão em vários desdobramentos notáveis. A vida das comunidades protestantes passou a girar em torno das Escrituras e da sua mensagem. A própria arquitetura dos templos passou a refletir as novas convicções: a decoração modesta, a ausência de imagens e do altar, o destaque dado ao púlpito e à mesa da comunhão. O foco central do culto passou a ser a pregação expositiva da Bíblia, bem como a celebração dos sacramentos da ceia e do batismo. Os pastores ficaram conhecidos como os “Ministros da Palavra”.

Em contraste com a Idade Média, em que a arte sacra era considerada “a bíblia dos ignorantes”, os reformados passaram a incentivar a educação para que as pessoas pudessem ler a própria Bíblia. Paralelamente, houve uma produção sem precedentes de novas traduções em linguagem acessível ao povo. Uma das maiores contribuições de Lutero foi a Bíblia alemã (1534), um monumento literário desse idioma. Mais importante foi a Bíblia inglesa, devido à sua influência na história posterior do movimento protestante. A primeira tradução impressa foi a de William Tyndale (1525-1530), martirizado em Bruxelas em 6 de outubro de 1536. Dos seis mil exemplares do seu Novo Testamento, somente dois chegou até os nossos dias. Ainda no século 16, surgiram várias outras versões inglesas: Bíblia de Coverdale (1535), Bíblia de Matthew (1537), Grande Bíblia (1539), Bíblia de Genebra (1560) e Bíblia dos Bispos (1568).

Como seria de se esperar, as Escrituras influenciaram poderosamente todos os aspectos do universo protestante: a teologia, a liturgia, a pregação, a hinódia, a devoção pessoal e familiar, a vida intelectual, a literatura e a arte, bem como as concepções éticas, políticas e sociais. Nos países marcados pela Reforma, o próprio idioma absorveu um grande número de palavras e expressões bíblicas. A Bíblia também esteve por trás dos grandes movimentos de revitalização das Igrejas Evangélicas, como o puritanismo inglês, o pietismo alemão e os grandes despertamentos norte-americanos. Desde o século XVI, com os próprios reformadores, o estudo dos textos nas línguas originais e a adoção de princípios equilibrados de exegese e hermenêutica (como o método histórico-gramatical) têm gerado um imenso e valioso legado de reflexão bíblica.

Outra área da vida das igrejas que teve profunda conexão com as Escrituras foi o esforço missionário. Desde os primeiros contatos com povos não-cristãos, os protestantes se preocuparam em traduzir a Bíblia para as línguas nativas. Essa preocupação se intensificou a partir do final do século XVIII, através de homens como William Carey, que verteu as Escrituras para várias línguas do subcontinente indiano. Fator importante nesse processo foi o surgimento das grandes sociedades bíblicas – a Britânica (1804) e a Americana (1816). Através de seus agentes, os valorosos colportores, essas sociedades espalharam a Bíblia pelo mundo afora. Hoje, graças aos esforços de organizações como Tradutores Wyclif da Bíblia, são relativamente poucas as pessoas que não têm nenhuma parte das Escrituras em sua língua materna. 

Conclusão

A importância da Bíblia para os protestantes seria injusto esquecer a contribuição católica. Em todos os períodos da história, a Igreja Romana teve manifestações de grande apreço e valorização das Escrituras, preservando os manuscritos antigos, fazendo valiosas traduções, estudando e ensinando as Escrituras. Por outro lado, muitos protestantes não estão isentos de erros nessa área, como o biblicismo estreito e intolerante, as interpretações esdrúxulas que geraram uma multiplicidade de seitas, o uso ideológico das Escrituras para justificar práticas inaceitáveis à luz do evangelho, como a escravidão e o preconceito. No cômputo geral, todavia, não há como negar que a Bíblia ocupa um lugar de muito maior destaque nas igrejas da Reforma e que os frutos desse interesse têm sido em grande parte benéfica e enriquecedores, tanto no aspecto pessoal quanto comunitário.


Referência bibliográfica

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BEEKE, Joel e outros. Sola Scriptura: numa época sem fundamentos, o resgate do alicerce bíblico. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.

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LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e seus intérpretes: uma breve história da interpretação. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

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PEDRO, Antonio, 1942 - História: Compacto, 2º Grau / Antonio Pedro,. - Ed. Atual., ampl. e renovada. São Paulo: FTD, 1995.

07/06/2021

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