17/06/2021

O ensino participativo na Escola Bíblica Dominical

 

O ensino participativo na Escola Bíblica Dominical

O ENSINO PARTICIPATIVO 

A utilização dos recursos tecnológicos na educação se tornou primordial nos dias de hoje. É impossível que uma escola, mesmo a escola bíblica dominical, que queira se tornar um modelo de excelência gerencial e de qualidade de ensino fique de fora deste contexto que aponta para um futuro irreversível. O desafio das mudanças quer seja de mentalidade quer seja de comportamento é um fator culminante nesta nova abordagem da educação participativa que prepara novos discípulos de Jesus, e é o início da vida confessional de professores, diáconos, presbíteros, evangelistas e pastores.

Os recursos tecnológicos como apoio ao ensino de qualidade tem se mostrado altamente eficiente de modo que facilita o processo pedagógico, a contextualização dos programas disciplinares, bem como a metodologia e a prática docente.

A construção de novos valores, a inserção de novas dinâmicas e a promoção de novas de aprendizagem baseadas em uma nova educacional tendem a superar os valores até então estabelecidos. Baseando o conhecimento e a transmissão deste, através de uma visão futurista no qual a tecnologia impõe uma velocidade transferência instantânea e aproximando o conhecimento empírico dos alunos adquiridos através de suas experiências conduz a uma nova linguagem de informação e de comunicação.

A escola dominical reflete a que tipo de igreja na qual ela está inserida. O aluno é o futuro discípulo de Jesus, nosso Senhor. Que tipo de salvação estaremos apresentando e como à fé estará baseado nas Escrituras Sagradas, se não apresentarmos a Palavra conforme o Senhor a entregou? Como você lê e como entendes?

Romper entre o tradicional e o novo são um desafio a ser aperfeiçoado pelos novos professores da EBD. A sala de aula na igreja deixou de ser um local de cadeiras alinhadas uma atrás da outra, para um local de promoção e busca incessante pelo conhecimento. Podemos utilizar um computador ligado à internet para conduzir o aluno a superar suas limitações físicas e bibliográficas e entrar numa rede de vasta ciência.

            Diante de tantos avanços tecnológicos, como utilizá-los na educação bíblica? Qual a utilidade do computador no cotidiano da EBD?

Os recursos da tecnologia permitem conceber e verificar ideias ou hipóteses, que levam à criação de um mundo abstrato e simbólico, ao mesmo tempo em que introduz diferentes formas de atuação e de interação entre as pessoas. Essas novas relações, além de envolverem a racionalidade técnico-operatória e lógico-formal, ampliam a compreensão sobre aspectos sócio afetivos e tornam evidentes fatores pedagógicos, psicológicos, sociológicos e epistemológicos.

Mas como o professor, preparado para uma pedagogia cristã baseada em procedimentos que visam à acumulação de informações pelo aluno, poderá reinventar a sua prática e assumir uma nova atitude diante do conhecimento, da aprendizagem com a utilização da tecnologia?

Assim como não se pode mais questionar o uso do computador, bem como outros meios tecnológicos em educação cristã, também não se deve adotá-lo como a panacéia para os problemas da educação religiosa evangélica. E ai surge as seguintes questões: como capacitar o professor na utilização dos recursos tecnológicos na EBD? Como integrar a prática docente com as novas tecnologias? Vislumbrar o futuro da prática pedagógica cristã apoiada em novas tecnologias educacionais?

Manter-se atualizado é um grande desafio para grande parte dos professores seculares, que tem a sua disposição vários cursos de capacitação e diversos incentivos dos governos municipal, estadual e federal.

Quando olhamos para os nossos professores de EBD deparamos com uma triste realidade. Quantos ministérios cristãos investem realmente no setor educacional de sua igreja? Quais os cursos de capacitação existem disponíveis para os professores da EBD? Qual é a exigência para que seja selecionado o professor da EBD? Como o superintendente da EBD é formado?

Diante de tantos questionamentos, vimos que a EBD tem bastantes limitações. Sejam de formação profissional ou capacitação.

O próprio autor do livro questiona alguns aspectos relativos ao professor da EBD:

Hoje, exige-se do professor a capacidade de selecionar e utilizar novos meios e procedimentos que lhe permitam esclarecer e aplicar os conteúdos das matérias no dia-a-dia da vida dos educandos.

Nossos alunos são influenciados por um mundo dominado pelos meios de comunicação. Durante toda a semana, dedicam-se inteiramente à televisão, aos brinquedos eletrônicos e à Internet. Quando chegam à Escola Dominical, trazem consigo imagens vivas adquiridas em consequência das numerosas solicitações a que foram submetidos pela diversidade dos meios de comunicação. Que interesse terão estes alunos em permanecer cerca de cinquenta minutos apenas ouvindo a voz do professor? Será que os mestres da Escola Dominical estão preparados para enfrentar este desafio? Como poderão despertá-los? Atraí-los para o ensinamento bíblico? É necessário que o professor conscientize-se destas mudanças e adapte o ambiente da sala de aula e suas técnicas de ensino a esta nova realidade. Ao educador cristão da atualidade cabe a responsabilidade de melhorar a comunicação em sala de aula, adaptando-a as necessidades dos alunos e colocando-a em termos tais que lhes permitam alcançar com êxito os objetivos da educação cristã. (TULER, 2005, p. 13-14)

 

COMO DESENVOLVER O ENSINO PARTICIPATIVO

Para aprender, o aluno deve ter interesse naquilo que será objeto da aula. O professor da EBD deve despertar o desejo de aprender, tornando evidentes ao aluno os motivos que fazem o assunto importante para este.

Além disso, o professor da EBD deve manter vivo o interesse do aluno no desenvolvimento da aula e estimular a atenção do aluno utilizando os recursos educacionais disponíveis (quadro de giz, retroprojetor, computador, multimídia, etc) adequados para obter a percepção. Este é um processo ativo que significa a assimilação e a interpretação de novas sensações. Por meio da percepção o aluno incorpora novas experiências que irão reorganizar os seus conhecimentos e o seu comportamento.

O professor da EBD deve estar atento ao fato de que as percepções são relativas, reagindo de forma diferente a cada estímulo apresentado. A focalização perceptiva é a atenção, que pode ser definida como a capacidade seletiva da percepção.

O professor da EBD deve manter o interesse de seu aluno, encorajando-o na execução das tarefas e recompensando-o pelos acertos, em vez de reprová-lo quando falha. Deve preocupar-se em ressaltar os pontos positivos, dando às faltas um tratamento que venha a possibilitar sua correção.

Existe uma tendência de todo professor a se posicionar em uma sala de aula através de palestras, que são essencialmente expositivas.

A palestra é uma exposição oral na qual o professor, valendo-se de todos os recursos da comunicação e preferencialmente com a ajuda de recursos educacionais, apresenta, define, analisa e explica os temas de uma aula.  É eficaz para iniciar a aprendizagem, bem como para introduzir as informações fundamentais. É útil como uma das possíveis formas de introduzir temas para reflexão e discussão.

Apresenta como principais vantagens: permitir ministrar muitos ensinamentos em pouco tempo e poder ser feita para turmas numerosas.

Porém tem como desvantagens: a pequena participação ativa dos alunos, os riscos de tédio ou desatenção e pouco rendimento provável.

Para que o ensino tenha uma maior participação do aluno é necessário que as aulas sejam contextualizadas, os assuntos devem despertam o interesse dos alunos e baseadas e experiências de vida.

A cooperação entre professores e alunos é primordial. Num ensino participativo, o aluno é o centro e a figura principal do processo educativo, é caracterizado pela variedade de procedimentos didáticos e para isto deverão ser estimulados a compartilhar com opiniões, experiências e sentimentos.

Deve-se ter o cuidado com os alunos que gostam de atrair para si toda a atenção. “A experiência diz que quando há um "figurão" presente, os estudantes mais tímidos participam menos da aula. Em sua classe, todos devem se sentir à vontade independentemente da formação escolar, situação social ou econômica”. (TULER, 2005, p. 14)

A pedagogia tradicional centrava-se na importância do professor no processo de ensino-aprendizagem deixando de lado o discente que era considerado um mero receptor de informações. Questionados sobre alguns assuntos, os alunos respondiam às perguntas do professor sem, contudo, interferirem voluntariamente na solução dos problemas e dificuldades do processo. Não tinham interesse pela aprendizagem.

Apesar de muitas escolas ainda se manterem na educação tradicional, uma nova didática vem sendo introduzido nas escolas, modificando por completo a atitude do professor em sala de aula. A aprendizagem é realizada em conjunto com o aluno, passando o professor a função de facilitador. Isto trouxe mais responsabilidade, pois agora o professor não vai mais pronunciar discursos prontos, devendo estar apto a responder as necessidades e carências, tendo uma participação efetiva junto ao aluno.

Utiliza-se a forma de comunicação multilateral, isto é, os alunos passaram a ter o direito de colocar em discussão suas opiniões, ideias, sentimentos e aprendizagem anteriores, permitindo a troca de experiências, cabendo ao professor o estímulo, a correção de rumos e a intervenção pedagógica, auxiliando na aprendizagem do discente, desenvolvendo o pensamento analítico, criativo e prático.

Diferente da palestra em que o professor somente fala e os alunos ouvem, o diálogo é de suma importância no ensino participativo, criando um ambiente de respeito e de consentimento, protegendo o trabalho criativo do aluno de gozações e da crítica destrutiva:

Assim os mestres ensinaram os novos crentes na Igreja Primitiva. As reuniões de ensino aconteciam nas casas dos irmãos. Todos aprendiam uns com os outros por meio do diálogo, da conversa, da partilha ou troca de experiências. Os que sabiam um pouco mais passavam seus conhecimentos aos neófitos em tom de conversa informal, familiar, de modo que todos podiam compreender a mensagem proveniente dos apóstolos e, em muitas ocasiões, diretamente do Espírito Santo.

O famoso educador Paulo Freire dizia que ensinar por meio do diálogo é, antes de tudo, "uma atitude de amor, humildade e respeito pelo outro". O educador precisa entender que todos têm condições de falar, opinar, fazer, refazer, criar e recriar, etc. (TULER, 2005, p. 19)

 

METODOLOGIA 

A metodologia empregada no ensino participativo deve estar de acordo com os planos de aulas, de modo que possa contemplar a realidade da escola que se pretende empregar este procedimento.

            Para que haja participação efetiva dos alunos em uma aula, não podemos prever atividades em que a técnica de ensino seja uma exclusivamente uma palestra. Como já disse os anteriormente, a palestra serve para dar uma introdução no assunto e depois devemos partir para uma técnica que permita a participação efetiva dos alunos.

            Na EBD, o professor deve utilizar seus conhecimentos para uma perfeita colaboração entre seus alunos. O livro “Ensino participativo na Escola Dominical”, de Marcos Tuler, dispõe de várias metodologias didáticas para promover a participação dos alunos nas aulas.

            Como exemplo, citarei apenas uma técnica de ensino chamada DEBATE, que pode ser empregado em diversos temas controversos que deverão passar pelo crivo da Palavra de Deus para discussão.

            Um tema que está na atualidade é a homofobia. Poderia ser aberto um debate com a seguinte situação: como fica a situação de um homem que fez operação de mudança de sexo?

            Com isso, colocaremos a turma para analisar o tema e apresentar suas hipóteses segundo o que diz a Bíblia. 

CONCLUSÃO 

Para um ensino participativo devemos entender que a sala de aula não é um exército de pessoas caladas nem um teatro onde o professor é o único ator e os alunos, espectadores passivos. Todos são atores da educação. Na realidade, um quinto do tempo escolar deveria ser gasto com os alunos dando aulas na frente da classe. Os professores relaxariam nesse período, e os alunos se comprometeriam com a educação, desenvolveria capacidade crítica, raciocínios esquemáticos, superariam a fobia social.

Atenção especial deve ser dispensada aos alunos tímidos. Normalmente eles têm diversos graus de fobia social, de expressar suas ideias em público. Os tímidos falam pouco, mas pensam muito e, às vezes, se atormentam com seus pensamentos. Os tímidos costumam ser ótimos para os outros, mas péssimos para si mesmos. São éticos e preocupados com a sociedade, mas não cuidam da sua qualidade de vida.

Os educadores são escultores da emoção. Devem educar olhando nos olhos e com gestos: eles falam tanto quanto as palavras. Sentar em forma de ferradura ou em círculo aquieta o pensamento, melhora a concentração, diminui a ansiedade dos alunos. O clima da classe fica agradável e a interação social dá um grande salto. 

Referência: 

TULER, Marcos. O ensino participativo na escola dominical. 2ª ed, Rio de Janeiro: CPAD, 2005.