04/07/2021

A salvação nas várias religiões existentes no mundo


A salvação nas várias religiões


Definição da palavra religião

O termo em português vem do latim religare, e significa “religar”, “atar”.

Tentativas de definição
  1. Religião é um determinado sistema de ideias, de fé e de culto.
  2. Religião consiste em crenças e práticas organizadas, formando um sistema individual ou coletivo, por meio do qual uma pessoa ou um grupo de pessoas é influenciado.
  3. Religião é uma instituição com um corpo autorizado de comungantes, que se reúnem regularmente com o propósito de adoração, aceitando um conjunto de doutrinas que relaciona o indivíduo com aquilo que é considerado a essência da realidade.
  4. Religião é tudo aquilo que ocupa o tempo e a devoção de alguém.
  5. Religião é algo que envolve a piedade humana e a auto justificação, independente de qualquer revelação divina (não permite que a fé cristã seja considerada uma religião).
Religiões: monoteístas e politeístas
Monoteísmo : crença na existência de um único Deus.
Politeísmo : crença na existência de vários deuses.

O monoteísmo original
A Bíblia apresenta a raça humana, em sua origem, crendo em um único Deus. A idolatria politeísta é um desvio posterior. Isto vai de encontro direto à teoria moderna de que a ideia de um único Deus desenvolveu-se gradativa e ascendentemente do animismo. O ponto de vista da Bíblia foi confirmado pela arqueologia. 

O Dr. Stephen Langdon, da Universidade de Oxford, descobriu que as mais primitivas inscrições babilónicas sugerem que a primeira religião do homem consistia na crença de um único Deus, mas houve um desvio rápido para o politeísmo e a idolatria.

A salvação
A palavra latina que originou o termo português “salvar” é salvare, que pode se referir a qualquer tipo de salvamento, livramento, etc. Salvus significa “seguro”, “a salvo”, “não prejudicado”, “ileso”, “livre”.
Em seu sentido teológico, a palavra salvar significa “tirar de algum perigo ou mal” (incluindo o juízo final), concedendo, ao mesmo tempo, a provisão de bem-estar espiritual, definido de muitos modos nos vários sistemas religiosos.

Usualmente, a salvação é associada a um estado futuro, a uma existência além-túmulo em um lugar de eterna bem-aventurança, mas em muitos sistemas religiosos este conceito é contrastado com um estado de julgamento e miséria.

O termo hebraico yeshua, que indica “largueza”, “facilidade”, “segurança”, se aproxima sobremaneira do sentido da palavra salvação como a conhecemos em português e pode ser usado e aplicado em vários contextos. O vocábulo grego correspondente à salvação é sotería, que envolve a ideia de “cura”, “recuperação”, “remédio”, “salvamento”, “redenção”, “bem-estar”. No Novo Testamento, é usado para indicar “livramento da condenação”, tendo em vista um aspecto escatológico que se inicia na vida presente e é considerado a partir de diferentes ângulos e significados.

Diferentes interpretações

Religiões animistas
É provável que a forma mais antiga de religião seja a animista. Isto é, a crença na continuidade do espírito humano, que pode voltar ao mundo para abençoar ou amaldiçoar, em companhia de vários espíritos que podem fazer a mesma coisa.

Geralmente, nas religiões animistas não há uma descrição exata quanto ao estado dos mortos. Além do conceito de que os mortos podem ajudar ou prejudicar os vivos, dizem que existe certo bem-estar associado à vida dos mortos bons, o que não deixa de ser uma espécie de visão primitiva da salvação.

Judaísmo
Segundo afirma essa religião, a busca por qualquer explicação a respeito da vida além-túmulo, no Pentateuco, é inútil. Não é mencionada nem como advertência àqueles que não observassem à lei, e muito menos como promessa de bem-estar depois da morte para os que agissem corretamente. Não há nenhum indício de que estava em vista a vida no além no texto de Deuteronômio 5.33, que promete vida longa e abençoada àqueles que observassem os mandamentos. 

Segundo Levítico 18.5, os homens viveriam por praticarem as ordenanças do Senhor. Esse texto de Levítico é citado em Romanos 10.5, no contexto da salvação, embora o apóstolo Paulo não afirme que a observância dos mandamentos envolva a promessa de vida eterna.

É evidente que Moisés não estava pensando na vida do além-túmulo. Não obstante, no judaísmo posterior (época em que foram escritos os Salmos e os Profetas), esses trechos do Pentateuco foram aplicados à vida no além. A despeito do que certos cristãos digam ao contrário, o judaísmo, porém, sempre foi um caminho de obras humanas, e a obediência à lei era o padrão absoluto dessas obras. 

Até mesmo no livro de Salmos e nos Profetas não há nenhuma descrição clara acerca do que está envolvido na vida além-túmulo, exceto que são prometidas a miséria para os pecadores e a felicidade para os justos. O Sheol torna-se, então, uma ameaça aos pecadores. E algum tipo de bem-aventurança, não bem definida, torna-se uma promessa feita aos justos. 

No Antigo Testamento, Daniel 12.2,3 é a mais clara passagem acerca do julgamento e da salvação. Diz o seguinte: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno. Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça, como as estrelas sempre e eternamente”.

Budismo
A escola hinayana, do budismo, não ensina a existência (e muito menos a reencarnação) de uma verdadeira alma no homem. Antes, estados mentais passariam de uma entidade para outra, mas cada entidade deixaria de existir por ocasião da morte biológica. Apesar disso, seus pensadores postulavam uma espécie de salvação. Seria desejável que esses estados mentais desaparecessem totalmente (ou seja, se apagassem como se fossem chamas) e o nirvana (extinção total) viesse a dominar sobre tudo.

Para essa escola, o vazio absoluto seria a salvação. A paz total, com a cessação da existência, seria obtida mediante as obras. Inicialmente, obter-se-ia um estado budista (semelhança com Buda) e, depois, um vácuo, o nirvana. Já o budismo mahayana, em contrapartida, prometia aos seus seguidores genuína imortalidade e bem-aventurança, que podiam ser alcançadas pelos meios propostos pela escola hinayana.

A recompensa seria um céu verdadeiro, chamado nirvana, cuja definição não tem nada a ver com a da outra escola. A participação na natureza divina e na existência, de acordo com os moldes divinos, seria a salvação, atingida uma vez que cessasse o ciclo de renascimentos, ou reencarnações, mediante uma vida moral e correta.

Posteriormente, o budismo chegou a desenvolver uma doutrina de muitos céus e infernos, ensinando que a alma humana poderia habitar nesses lugares, embora pudesse retornar para ter outra encarnação. E, finalmente, uma vez declarada a necessidade da reencarnação, esferas de glória estariam à espera da alma.

Confucionismo
É, essencialmente, uma religião, tal como o judaísmo, mais antigo que o confucionismo. Essa religião crê na existência da alma, embora tenham ideias vagas acerca da existência no além.

Taoísmo
Possui uma noção diferente sobre o além. Seus conceitos sobre muitos céus e infernos são emprestados do budismo. Segundo afirma, o indivíduo venceria pelo quietismo, uma doutrina mística. Na terra, a grande busca por vida longa e riquezas materiais é uma constante. As boas obras são recomendadas. A confissão de pecado e a absolvição são doutrinas básicas. Difundem, ainda, como doutrina, a prática da retribuição do bem e do mal.

Hinduísmo
Apresenta, de um período histórico para outro, vários conceitos acerca da salvação. Para se ter uma ideia, o hinduísmo védico possuía noções nitidamente próprias a respeito de uma vida neste mundo, ainda que, de forma preliminar, acreditasse na existência da alma. E, segundo ensinava, a alma, após a morte física, poderia esperar o bem ou o mal. O bem, no entanto, só poderia ser obtido mediante sacrifícios.

O hinduísmo brâmane tornou-se bastante espiritualizado em seu caráter, prometendo a esperança de uma existência bem-aventurada no além para aqueles que pudessem desvencilhar-se dos ciclos da reencarnação, por meio de atos morais positivos e boas obras. O carma e a reencarnação são aspectos centrais nessa religião.

O hinduísmo filosófico ressalta a necessidade do indivíduo livrar-se dos ciclos da reencarnação, buscando o descanso e a alegria na outra vida.

O hinduísmo devocional (teísta) ensina sobre a vida eterna no céu, na presença de Deus. Nesse segmento do hinduísmo aparecem muitos céus e infernos. O indivíduo pode ir subindo de céu em céu até chegar a habitar na presença de Deus, a visão mais exaltada da salvação. A vereda para a glória consta, essencialmente, de fé, devoção, amor e prestação de serviço ao próximo.

Essa fé tem ramificações politeístas e a divindade, cuja presença deve ser buscada, é variavelmente escolhida. Principais divindades: Vishnu, Krishna, Rama, Siva e Kali, que também são objetos de adoração de muitas seitas.

Sikhismo
Defendem essencialmente as mesmas ideias advogadas pelo hinduísmo devocional (teísta). 

Jainismo

O jainismo é uma das religiões mais antigas da Índia, juntamente com o hinduísmo e o budismo, compartilhando com este último a ausência de um Deus como criador ou figura central da religião. A palavra jainismo tem as suas origens no verbo sânscrito jin que significa "conquistador". 

Foi uma espécie de movimento protestante dentro do hinduísmo. Ensinava como escapar dos ciclos da reencarnação, ou seja, da passagem do indivíduo por muitos céus e infernos, mas nenhum desses ciclos é permanente. Essa religião não é muito teísta. Se ali existem deuses, eles em nada ajudam os homens. A salvação é alcançada pelo esforço humano. O carma governa tudo. As três “joias” da fé religiosa são: fé correta, conhecimento correto e conduta correta. Doutrinas importantes: ascetismo e pacifismo.

Zoroastrismo
Como religião, sempre se afastou do secularismo. E isso foi se acentuando com o passar do tempo. Deus é visto como um ser correto, que exige retribuição e recompensa. Os maus serão punidos e os bons, recompensados. A salvação é obtida pelas boas obras. A ênfase recai sobre bons pensamentos e boas obras— até que o indivíduo colha aquilo que semeou de bom ou de mau. No zoroastrismo posterior foi concebido um personagem, Soashyant, o “salvador”, a fim de ajudar os homens a obter a salvação.

Islamismo
Fez muitos empréstimos doutrinários, tanto do judaísmo quanto do cristianismo. Um dos conceitos básicos dessa fé é escapar do julgamento de Alá, um juízo que consiste em chamas eternas. A salvação depende das boas obras, da conformidade com a fé religiosa islâmica, da realização de suas provisões, dos ritos especiais, etc.

A crença também é importante para a salvação: crê em um monoteísmo absoluto, tendo Maomé como o profeta de Alá, o autor do Alcorão. Contudo, a salvação depende de uma eleição feita por Alá. Os eleitos, portanto, agirão como bons muçulmanos. Na seita Shira do islamismo, a salvação é enfatizada por meio da fé. O “após-vida” (na salvação) é um lugar agradável, com prazeres, lazer e bem-estar.

Salvação no cristianismo

A salvação é descrita na Bíblia como o caminho, ou a estrada da vida, para a comunhão eterna com Deus no céu (Mt 7.14; Mc 12.14; Jo 14.6; At 9.2; 16.17; Hb 10.20; 2Pe 2.21). Este caminho, que é a salvação, deve ser percorrido até o fim. Enfatizando: como a salvação pode ser descrita como um caminho, este caminho possui dois lados e três etapas:

O único caminho da salvação
Cristo é o único caminho para ir ao Pai(Jol4.6;At4.12).A salvação nos é concedida pela graça de Deus, manifesta em Cristo Jesus (Jo 3.16). Jesus Cristo é quem intercede pelos salvos (Hb 7.25).

Os dois lados da salvação
A salvação é recebida gratuitamente, por meio da fé em Cristo (Rm 3.22,24,25,28). É o resultado da graça (favor não merecido) de Deus (Jo 1.16) e da obediência do homem à fé (At 16.31; Rm l.l7; Ef 1.15; 2.8).

As três etapas da salvação
  1. A etapa passada inclui a experiência pessoal, pela qual nós, os crentes, recebemos o perdão dos nossos pecados (At 10.43; Rm 4.6-8) e passamos da morte espiritual para a vida espiritual (1 Jo 3.14); do poder do pecado para o poder do Senhor (Rm 6.17-23); do domínio de Satanás para o domínio de Deus (At 26.18). A salvação nos leva a um novo relacionamento pessoal com Deus (Jo 1.12) e nos livra da condenação do pecado (Rm 1.16; 6.23; ICo 1.18).
  2. A etapa presente nos livra do hábito e do domínio do pecado e nos enche do Espírito Santo. E abrange: o privilégio de um relacionamento pessoal com Deus, como nosso Pai, e com Jesus, como nosso Senhor e Salvador (Mt 6.9; Jo 14.18-23), a conclamação para nos considerarmos mortos para o pecado (Rm 6.1 -14) e para nos submetermos à direção do Espírito Santo (Rm 8.1-16) e da Palavra de Deus(Jo8.14-31;14.21;2 Tm 3.15,16), o convite para sermos cheios do Espírito Santo e a ordem para que permaneçamos cheios (At 2.33-39; Ef 5.18), a exigência para nos separarmos do pecado e da presente geração perversa (At 2.40; 2Co6.17) e, por fim, a chamada para travarmos uma batalha constante em prol do reino de Deus contra Satanás e suas hostes demoníacas (2Co 1.5; Ef 6.11,16; 1 Pe 5.8).
  3. A etapa futura (Rm 13.11,12; lTs5.8,9; IPe 1.5)abrange: nosso livramento da ira vindoura de Deus (Rm 5.9; ICo 3.15; lTs 1.10; 5.9), nossa participação na glória divina (Rm 8.29, 2Ts 2.13,14) e nossos galardões, que havemos de receber como vencedores fiéis (Ap 2.7).
Fonte: Bíblia Apologética ICP

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